quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Construções sustentáveis geram lucros.


O construtor holandês Coen van Oostrom, de 41 anos, tem vista para o Mosa de seu escritório em Roterdã. Nas margens do rio estão diversos edifícios neutros em CO2. Todos construídos por ele. Ele espera agora que os escritórios ecologicamente corretos que ele desenvolveu nesta cidade se espalhem por todo o mundo.

No mês passado, Van Oostrom foi homenageado por Bill Clinton. Durante o encontro anual da Clinton Global Initiative, o ex-presidente norte-americano o descreveu como um catalisador para o desenvolvimento de imóveis sustentáveis.

Este reconhecimento não caiu do céu. Em 2007, a empresa de Van Oostrom, OVG, aceitou o desafio de desenvolver em cinco anos um bilhão de dólares em edifícios que gastassem até 60% de energia. Este objetivo foi atingido dentro de três anos.



Nada de abraçar árvores

Por estes resultados, o fundador da OVG na Holanda agora é conhecido como o ‘construtor verde’. Mas por mais lógico que isto soe, não o é. “Eu não tinha muito a ver com isso. Embora achasse que como empreendedor sempre tinha que levar o meio ambiente um pouco em conta, com a ‘pegada’ social que se deixa. Mas eu achava que o movimento ambiental na época era muito negativo e de esquerda. Neste período eu não era nenhum ‘abraçador de árvores’.”

Seus olhos se abriram quando ele presenciou, há cinco anos, uma palestra de Al Gore. A mensagem do vencedor do prêmio Nobel e ativista ambiental era clara. O aquecimento global é um fato e a solução não virá de governos ou organizações como o Greenpeace. São os empresários que têm que dar os primeiros passos para a produção verde, ambientalmente correta.


Duas faces da medalha

A mudança para a construção sustentável mostrou-se mais fácil do que ele imaginava. A OVG enviou seus funcionários para diferentes partes do mundo para coletar conhecimento e técnicas sustentáveis. A empresa descobriu que o desenvolvimento de inovações sustentáveis estava bem mais adiantado do que se esperava. Construir de maneira sustentável é, portanto, muito mais barato do que era antigamente. Só que quase ninguém sabe disso.

Com isso também é possível conquistar potenciais clientes. Van Oostrom demonstra a eles que os custos extras para fazer um edifício sustentável são rápida e facilmente recuperados, uma vez que os gastos de energia diminuem em 70%.

“Vemos isso como as duas faces da medalha: é bom para a sociedade e é bom para a empresa. Assim nós podemos investir e fazer novas inovações. É uma situação fantástica, em que todos saem ganhando. Sustentabilidade só pode ser sustentável se a longo prazo der lucro. De outra forma, no final você não consegue sobreviver à violência da competição de mercado.”


C40

Ele faz questão de dividir esta mensagem com governos, empresas e construtores em todo o mundo. Por isso, a pedido do ex-presidente dos EUA Bill Clinton, ele está criando uma rede de troca de conhecimentos e um fundo de um bilhão de dólares. Desta forma, as cidades que fazem parte da Clinton Global Initiative, o C40 Large Cities Climate Leadership Group se tornarão energeticamente eficientes e mais ambientalmente corretas. Segundo Van Oostrom, esta plataforma tem grande valor porque problemas locais das cidades poderão ser discutidos e divididos. Serão incluídos exemplos específicos de projetos sustentáveis e as formas de transmitir esta mensagem de maneira convincente a empresas e governos.

Com o fundo de um bilhão de dólares se propõe montar grandes projetos sustentáveis na Europa e outros de menor magnitude em outras partes do mundo, como a América do Sul, África e Ásia.


Ícones verdes

Estes ‘ícones verdes’ deverão ser um estímulo que desperte a reflexão. “Você tem numa cidade um edifício do qual todos sabem: este prédio é neutro em CO2. Isso faz muitas pessoas abrirem os olhos. Talvez, chegando em casa, elas pensem: deixe-me ver se posso fazer algo pra tornar meu próprio apartamento mais sustentável. Acredito muito no efeito bola de neve. Por isso é importante ter este tipo de exemplo nas grandes cidades do mundo.”

Ele espera que muitas empresas tomem a iniciativa de produzir de maneira sustentável para dar um empurrãozinho a mais no processo. Não apenas por altruísmo, mas porque isso pode gerar muitos lucros, como Van Oostrom sabe por experiência própria.


Fonte: Redimob

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