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segunda-feira, 31 de outubro de 2011

As oportunidades do Brasil e a crise nos países ricos.


O Boletim Focus divulgado no dia 24/10 apresentou uma correção interessante por parte do mercado em relação à inflação. Pela primeira vez em 2011 é admitido que a inflação oficial fique no topo da meta, ou 6,5%. Se a tendência é de baixa nas últimas semanas, boa parte dos veículos se esforça em chamar a atenção para o fato de ainda estarmos distante do centro da meta de inflação, que é de 4,5% ao ano.

O mesmo boletim indica que a projeção para a inflação, em 2012, é de 5,60%. O PIB (Produto Interno Bruto) também foi reavaliado pelo mercado e a projeção para o crescimento em 2011 é de 3,30%; Para 2012, a previsão sobe ligeiramente: 3,51%.


Inflação, Banco Central e taxa de juros

A “queda de braço” iniciada na penúltima reunião do COPOM (Comitê de Política Monetária) com o mercado e seus agentes históricos aos poucos vai encontrando um ponto de equilíbrio. Na última reunião, foi consensual a redução de 0,5 ponto percentual, fato que surpreendeu alguns veículos e agentes do mercado.

Particularmente, continuo acreditando que o Brasil ainda tem uma taxa de juros muito acima do necessário e as consequências de uma economia dependente de uma taxa de juros estratosférica têm sido muito piores do que os benefícios.

O mundo atravessa um dos períodos mais nebulosos e complicados de sua história. As dificuldades apresentadas em boa parte do mundo considerado rico (Estados Unidos e Europa) ainda não estão completamente esclarecidas e todos sabem que qualquer tipo de ajuda, nesse momento, representa apenas medidas paliativas.


Grécia, um dos problemas da Europa

O caso mais claro é discutido é o da Grécia. O país esta tecnicamente quebrado, falido. A ajuda que vem sendo definida, e que será apresentada nos próximos dias, tem prazo de validade. Fico com uma pergunta na cabeça: alguém consegue prever ou saber o que acontecerá com a Grécia daqui dois anos?

O prognóstico é o pior possível. O governo grego vai precisar cortar benefícios e diminuir ainda mais o ritmo de investimentos do país – e não poderia ser diferente. Cada vez mais observaremos greves e outras manifestações populares que paralisarão o país e dificultarão o andamento das reformas. E isso afetará outras economias do bloco. Outra questão: as economias ricas não poderão entrar em um período de dolorosa correção e parco crescimento, como o que já ocorreu com o Japão?

Se a Grécia já é um problema nebuloso, o que vem por aí pode ser ainda pior. O que falar da Itália, com uma dívida líquida de cerca de 100% do PIB? E a Bélgica, com o percentual de dívida de 94,4% do PIB? São candidatas a problemas ou terão tempo para também implementar mudanças? As necessárias reformas farão o país crescer pouco e deixarão a população furiosa ou serão suficientes para evitar o pior?


Espanha, Itália, Portugal: bombas relógio?

A Espanha tem o mesmo déficit público da Grécia. A questão capaz de piorar as coisas tem relação com a capacidade que os governos terão de controlar os levantes populares – afinal, para superar os problemas o caminho adotado será justamente o de corte de gastos e elevação da carga tributária. Dada a dimensão e a importância dos países dentro do mundo, fica fácil perceber o tamanho da “encrenca” que muitos países poderão passar em um futuro breve.

No quadro abaixo, com informações divulgadas pelo FMI (Fundo Monetário Internacional), podemos ver comparativamente que a bomba relógio está armada. Os dados estão em % em relação ao PIB:


Devido ao cenário internacional, temos mais do que a oportunidade, temos a obrigação de baixarmos os juros de nossa economia. É claro que de forma gradual, mas contínua. O Brasil precisa olhar para frente e deixar de lado o discurso já ultrapassado de que os juros altos são necessários para controlar a inflação. Como todo “remédio”, ele possui contra indicações e se utilizado de maneira exagerada se torna mais uma droga viciante do que uma medicação eficiente.


É claro que o atual momento é diferente de todos os demais eventos relatados e estudados nas universidades ou mesmo nos livros de economia. Mas precisamos agir sem medo e com a consciência de que a crise precisa ser enfrentada de forma concreta, com juros civilizados e que contribuam para o crescimento do país. Isso sem falar nas tão necessárias reformas, como a tributária, a trabalhista e a da infraestrutura. Todas urgentes! É preciso aproveitar para avançar.

Por: Ricardo Pereira

terça-feira, 25 de outubro de 2011

A nova face da construção civil no Brasil.

No dia da Construção Civil, especialistas apontam os principais avanços do setor ocorridos no nos últimos anos.



No dia 25 de outubro, comemora-se o Dia da Construção Civil. Mas o que falar deste motor que impulsiona a economia do país?

A construção civil está num bom momento em vários aspectos. O Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) registrou no mês de setembro crescimento de 0,91% em empregos no setor. Foram criadas 24.977 novas vagas no mês. No balanço dos últimos 12 meses, pode-se constatar que a construção civil gerou 226.629 vagas, com um crescimento de 8,7% no estoque.

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat) também são otimistas. A indústria de materiais do setor obteve um crescimento de 7% no mês de setembro, na comparação com o mesmo mês do ano passado. Com todos os indicadores a favor deste crescimento, o que podemos definir como a principal evolução da construção civil nacional? A pergunta é difícil pela abrangência, afinal não foram poucos os avanços do setor nas últimas décadas. Saiba o que pensam os especialistas do setor.


Tecnologia nos canteiros de obra

A mais importante evolução que a nossa indústria vem verificando nos últimos anos no Brasil é, sem dúvida, o desenvolvimento de novos processos de gestão, métodos construtivos, produtos e materiais mais sustentáveis e eficientes... Em suma: a introdução da inovação tecnológica nos canteiros de obras e ao longo de toda a cadeia produtiva. A construção no país ainda é uma atividade intensamente manufaturada. Mas a chegada de novas tecnologias está mudando rapidamente este cenário. Os ganhos são imensos e beneficiam não apenas as empresas, mas toda a sociedade brasileira. Ganham os trabalhadores que passam a exercer atividades mais qualificadas, ganham os moradores ou usuários dos empreendimentos construídos (públicos ou privados), ganha o meio ambiente com a redução e reciclagem dos resíduos gerados. O nosso desafio neste momento é assegurar, por meio de políticas públicas, que todo o universo de 170 mil empresas formais da construção no Brasil possam ter acesso à inovação, incluindo as médias e pequenas empresas.

Paulo Safady Simão
Presidente da Câmara Brasileira da Indústria da Construção -CBIC



Melhorias no financiamento imobiliário

Um dos grandes impulsos da construção civil nos últimos 20 anos se deve ao sistema de financiamento de imobiliário, que até meados de 2004 era pouco disponível e com taxas não tão atrativas. A partir deste período, obtemos melhorias na lei nesse sentido, que garantiu ÀS empresas condições de lançar novos empreendimentos e movimentar a economia do país. 

A estabilidade monetária e o financiamento a custo acessível é uma ferramenta fundamental para este desenvolvimento. A partir disso, há possibilidade de investimentos em tecnologia e sustentabilidade, caminho este que é inevitável. Vamos caminhar cada vez mais em busca de processos construtivos inteligentes, resultando na melhoria da qualidade de emprego, trabalho, evitando perda de materiais e acidentes. 

Luis Fernando Pires, presidente do Sinduscon-MG



Concreto usinado

“Dizer qual foi a mais importante evolução da construção civil nos últimos anos é tarefa difícil, mas citaria o concreto usinado, um dos primeiros processos construtivos industrializados a se disseminar. Tanto que nem aparece na lista dos principais processos industrializados introduzidos na década de 90, remontando, ainda no final da década de 70, e tendo se estabelecido para valer no final da década de 80. 

Uma das principais razões do sucesso foi o fato de ter reduzido drasticamente o tempo de uma concretagem e, portanto, teve impacto na produtividade do processo construtivo.

Outro ponto positivo é o fato de, em tese, reduzir a possibilidade de erros humanos no processo de maior importância do canteiro, a fabricação do concreto, pois o traço (mistura de cimento, concreto, areia e aditivos - quando for o caso) é feita numa central fora do concreto e que, hoje, é 100% automatizada. O aspecto da segurança do traço deve ser enfatizado hoje em dia, quando a qualidade dos agregados utilizados na mistura (brita e areia) não é a mesma de anos atrás, dada a dificuldade de prospecção destas jazidas. O processo é bastante complexo, devido a rigorosas leis ambientais”.

Dionyzio Klavdianos
Vice-presidente do Sinduscon-DF e presidente da Comissão de Materiais e Tecnologia da entidade



De conservador ao moderno 

Ao longo de décadas, a construção civil brasileira no ramo imobiliário era bastante conservadora na aplicação de novas tecnologias e métodos construtivos, parte motivada pela disponibilidade de mão de obra a baixo custo. Era mais barato contratar diversos operários, mesmo com baixa produtividade, do que investir em equipamentos ou em desenvolvimento tecnológico. Parte disso pela dificuldade do brasileiro em aceitar novos produtos como paredes pré-fabricadas, por exemplo, em gesso acartonado (DRY Wall), ou mesmo em madeira, utilizado por vários anos nos Estados Unidos e Europa.


Seria um equívoco destacar um único motivo para a evolução na construção civil. Nos últimos anos, houve um investimento grande das construtoras no desenvolvimento e emprego de novas tecnologias, como paredes em concreto, formas metálicas, concretos de alto desempenho, instalações elétricas e hidráulicas com uso de mangueiras e materiais flexíveis, pisos  e tubulações com isolação acústica para evitar a transmissão de barulhos entre os vizinhos dos edifícios, entre outros. Há uma busca pelo aumento da produtividade, redução de desperdícios e custos, motivados pela falta de mão de obra e ganho de competitividade.

Podemos destacar também o investimento na criação de processos e procedimentos construtivos para garantir padronização e melhor controle da qualidade, uso de softwares para desenhar em 3D e cálculos de estruturais.

As construtoras oferecem diversas opções para o cliente personalizar o apartamento, alterando a planta, revestimentos, grandes terraços chamados “Gourmet” com churrasqueira e interligado com a cozinha. Os condomínios viraram verdadeiros clubes com infraestrutura de lazer e segurança.

Nos últimos cinco anos, com o aquecimento da economia, houve uma corrida pela abertura de capital de dezenas de construtoras, além do incentivo dos governos para fomentar a construção de moradia popular com crédito disponível para sustentar esse crescimento.

Para finalizar, destaco também a elaboração da Norma de Desempenho, que estabelece as garantias, durabilidade e conforto das residências e edificações.

Joelson Santos, gerente de engenharia da Tecnisa Engenharia.


Fonte: Redimob.